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terça-feira, 2 de março de 2010

Os Museus do Funchal

Foram amplamente divulgadas as notícias da catastrofe ocorrida na Madeira, devido a uma precipitação pluvial anormal (114 litros por metro quadrado, num curtíssimo espaço de tempo), que aumentou muitíssimo o caudal das três ribeiras que atravessam o Funchal, (afectando igualmente a Ribeira Brava, a Camacha e a Serra d'Água), transbordando estas com uma violência extrema, com perda de vidas, de bens e avultados prejuízos. Perante esta adversidade, os madeirenses revelaram a coragem, união e força de trabalho que os caracteriza, limpando em tempo recorde, a lama, rochas e toda a série de detritos que inundaram as zonas afectadas, recuperando a sua amada cidade. Muito há ainda para fazer pelas famílias enlutadas e desalojadas, mas é notável o muito que já se fez.


No entanto, pouco ou nada se disse sobre os museus do Funchal, alguns situados muito próximo das ribeiras - será sinal de que talvez não tenham sido grandemente afectados, o que é motivo de regozijo, embora pareça haver notícia de prejuízos incalculáveis ou possível perda patrimonial total em pelo menos um: o Museu-Biblioteca Mário Barbeito de Vasconcelos, de acordo com o Diário de Notícias (Funchal). Vamos então conhecer alguns desses museus, tomando como nosso guia o Guia dos Museus do Funchal (2008), do Dr. Francisco Clode de Sousa, a começar então, por este Museu-Biblioteca:


O Museu-Biblioteca Mário Barbeito de Vasconcelos foi fundado em 1989, pela empresa Vinhos Barbeito (Madeira), na cave da sua Loja, na Avenida Arriaga, e era constituído por três salas de exposição, que albergavam coleccções verdadeiramente preciosas, com exemplares únicos: a primeira sala apresentava Cristóvão Colombo e a expansão marítima, através de uma exposição de livros raros, gravuras e moedas; na segunda sala podiam-se ver edições raras sobre o Arquipélago da Madeira e manuscritos, estampas e desenhos originais sobre a história da indústria do Vinho da Madeira; e onde o visitante podia ainda descobrir uma colecção de libros sobre a flora madeirense; na terceira sala situava-se o arquivo documental sobre diversos aspectos culturais desta região. Por se situar na cave da Loja desta empresa de vinhos, com a inundação de água, lama e detritos que invadiu a Avenida Arriaga, provenientes do transbordar da Ribeira de São João, a cave parece ter sido completamente inundada. A saber o que poderá ser possível recuperar neste momento. Tarde se lamenta que este riquíssimo património cultural não tivesse sido melhor salvaguardado, em local mais adequado.


Na belíssima Avenida Arriaga existem também as Adegas de São Francisco, da Madeira Wine Company, visita obrigatória de todos os turistas da Madeira. As Adegas situam-se num conjunto de edifícios (dos séc. XVII e XVIII) que outrora faziam parte do extinto Convento de São Francisco, demolido no século XIX; com visitas guiadas, as suas salas de exposição narram o processo de fabrico do famoso vinho da Madeira, que pode ser degustado na sala de provas, e adquirido na loja e armazéns.


Entre a Avenida Arriaga e a Avenida do Mar, situa-se o Palácio de São Lourenço, fortificação portuguesa que data dos séculos XVI-XVII e que sucessivas reformas foram transformando em Palácio, para residência dos Governadores da Madeira. A divisão administrativa dos Poderes Civil e Militar em 1836, influenciou a divisão da ocupação de espaços neste edifício, passando a parte leste a pertencer ao Governador Militar - actualmente sob a tutela do Comando da Zona Militar da Madeira - e a parte oeste, com as principais dependências e salas nobres do palácio, a pertencer ao Governador Civil - de 1976 a 2004 ao Ministro da República para a Madeira e desde 2004, ao Representante da República na Região Autónoma da Madeira. O mobiliário, pinturas e peças de artes decorativas, portuguesas e europeias dos séculos XVII; XVIII e XIX, que decoram os espaços, vêm em grande parte, de Palácios Nacionais. Com percursos visitáveis, neste Palácio decorrem frequentemente eventos culturais. Pode ainda ser visitado um núcleo histórico-museológico na área militar, sobre a história da construção e sucessivas alterações desta fortaleza, e sobre a História Militar da Madeira, assim como os seus jardins.


O Photographia-Museu Vicentes, situado na Rua da Carreira, é o mais antigo estúdio de fotografia inteiramente preservado em Portugal, fundado em 1848 por Vicente Gomes da Silva (distinguido em 1852 como "Gravador de S. M. A Imperatriz do Brasil"), tornando-se património cultural da Região Autónoma da Madeira em 1978, com museu aberto ao público a partir de 1982. Este estúdio-museu, reúne importantíssimas colecções de fotografia que, ao longo de quatro gerações, foram registando os acontecimentos mais relevantes da História da Madeira, constituindo um espólio, notável, de mais de 500.000 negativos. Ao seu espólio foram reunidas, recentemente, as colecções dos Estúdios Fotográficos de João Francisco Camacho (também fotógrafo da Casa Real Portuguesa); de José Júlio Rodrigues; dos Perestrellos Fotógrafos; da Photo Figueiras; de Joaquim Augusto de Sousa; de João António Bianchi (Vale Paraíso); do Major Charles Courtney Shaw, de Gino Romoli, de Francisco Barreto; de João Soares; de Álvaro Nascimento Figueira; de Luís Bettencourt; de João Anacleto Rodrigues; de Russel Manners Gordon (Torre Bela); de Alexander Lamont Henderson, entre outros. Na objectiva das câmeras destes fotógrafos fixaram-se as imagens do quotidiano, das paisagens, do património cultural, de costumes e tradições, dos transportes, das festas e comemorações, de actos solenes públicos, de personalidades madeirenses e das visitas da Imperatriz Isabel da Áustria (a célebre Sissi); de suas Magestades o Rei D. Carlos e a Rainha D. Amélia d'Orléans e Bragança; dos exploradores Roberto Ivens e Hermenegildo Capelo; dos aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral; e de muitas outras personalidades famosas portuguesas ou estrangeiras que um dia passaram por este lindíssimo arquipélago.


Outros museus situados relativamente próximo da ribeira de Santa Luzia, são o Museu Diocesano de Arte Sacra do Funchal, situado entre a Praça do Município e a Rua do Bispo, e o Museu A Cidade do Açúcar, na Praça Colombo.


O Museu Diocesano de Arte Sacra do Funchal foi fundado em 1940, tendo sido na altura instalado provisoriamente na Sala do Cabido da Sé, inaugurando as suas instalações definitivas no antigo Paço Episcopal da Diocese do Funchal, em 1955. As suas colecções, de grande valor, vão desde a uma colecção de pintura flamenga, dos séculos XV e XVI, única na europa, à pintura e escultura portuguesas (dos séculos XV a XVIII), ourivesaria (do século XVI ao final de XVIII), mobiliário e paramentária.


O Museu A Cidade do Açúcar tem as suas instalações num edifício onde originalmente se erguiam as casas manuelinas de João Esmeraldo, comerciante holandês de açúcar que um dia, hospedou o navegador Cristóvão Colombo. Este museu possui no seu acervo achados arqueológicos no Funchal, provenientes, especialmente da escavação realizada em 1989 nas antigas casas de João Esmeraldo, destruídas no século XIX. O museu pretende dar uma panorâmica da produção, tecnologia e comércio do açúcar, nos seus mais importantes ciclos (séculos XV-XVI e XIX), com a recuperação e musealização de um antigo engenho de Açúcar, apresentado exemplares de antigas formas de açúcar, pães de açúcar, medidas manuelinas, selos de chumbo, moedas, cerâmica diversa, entre outros objectos e obras de arte.


Próximos da Ribeira de João Gomes, situam-se o Museu da Electricidade - Casa da Luz, o Madeira Story Center, o Núcleo Museológico do Instituto do Vinho, Bordado e Artesanato da Madeira, e o Núcleo Museológico Mary Jane Wilson.


O Museu da Electricidade - Casa da Luz, museu da empresa EEM - Empresa de Electricidade da Madeira - situa-se entre a Rua da Casa da Luz e a Rua do Bridadeiro Oudinot, instalado no espaço da antiga Central Térmica do Funchal, inaugurada em 1897. O museu foi inaugurado em 1989, apresentando de forma atractiva a história da difusão e utilização da energia eléctrica na ilha da Madeira, desde os vários tipos de iluminação na cidade do Funchal aos vários tipos de maquinaria e formas de produção da energia eléctrica, térmica e hidráulica, assim como uma explicação dos postos de transformação, maquetas das centrais eléctricas e das redes eléctricas urbanas e rurais, terminando-se a visita na área dedicada às "Fontes de Energia", primárias e renováveis, e às novas tecnologias, com equipamentos interactivos e software multimédia, bola de plasma, realidade virtual, gaiola de Faraday e fibra óptica, que despertam grande curiosidade tanto de crianças como de adultos.


O Madeira Story Center situa-se na rua de D. Carlos I. Este Centro de Interpretação Histórica, pertencente a uma empresa privada (FUN - Centros Temáticos do Funchal, Lda.), em parceria com a Etergeste, foi inaugurado em 2005, incluindo mais tarde o Jardim Almirante Reis (em Santa Maria), junto ao teleférico do Funchal. Apresenta a História da Madeira, de uma forma lúdica e interactiva, com um espaço de exposição organizado em etapas cronológicas.


Na antiga Sede do Grémio dos Industriais de Bordado da Madeira, na Rua do Anadia, encontra-se instalado o Núcleo Museológico do Instituto do Vinho, Bordado e Artesanato da Madeira (IVBM). As suas colecções de bordados, vime, mobiliário e tapeçarias, apresentam-se em contexto de uso, evocando as memórias das salas de visitas, de jantar ou do quarto de dormir madeirenses, com mobiliário inglês dos séculos XVIII e XIX, com toalhas, lençóis, fronhas, colchas, cortinados e vestuário decorados com o rico bordado da Madeira. Igualmente há uma sala onde se podem ver os materiais, técnicas e processos de criação do bordado, que sofreu influências do Bordado Inglês, do Bordado Richelieu, e também Renascença, Veneziano e de Rendas, divulgadas na europa no século XIX. No final do percurso expositivo, o visitante tem a oportunidade de apreciar alguns bordados aplicados pela artista contemprânea madeirense, Lurdes de Castro.


O Núcleo Museológico Mary Jane Wilson encontra-se na Rua do Carmo e apresenta, ao longo de cinco salas de exposição, a vida e obra da Irmã Mary Jane Wilson (1840-1916), como enfermeira e fundadora da Congregação das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias e de diversas instituições com propósitos educativos, religiosos ou beneméritos.


Por fim, no Monte, encontramos os Jardins da Quinta "Monte Palace" da Fundação Berardo, com uma vista privilegiada sobre o Funchal. Antiga quinta de recreio, foi transformada em hotel (o elegante Monte Palace Hotel), encerrado em 1943. Em 1987 esta propriedade foi adquirida por Joe Berardo e doada à sua Fundação, nascendo assim o Jardim Tropical Monte Palace, mantendo-se a casa para uso privado. Os jardinsestão ornamentados com aplicações decorativas - colecções de painéis de azulejo de meados do século XVI a XX e pedras de cantaria provenientes de demolições arquitectónicas, entre as quais se destaca um retábulo renascentista de uma oficina coimbrã do século XVI. Neste belo jardim tropical foi reservada uma área para um jardim de feição oriental, com elementos arquitectónicos e escultóricos. Num edifício construído para o efeito, encontram-se outras colecções de Joe Berardo - Escultura Contemporânea Africana (Zimbabué), desde 1960 - e a colecção geológica com minerais provenientes de Portugal, Brasil, África do Sul, Zâmbia, Peru, Argentina e América do Norte.


domingo, 21 de fevereiro de 2010

As Visitas Virtuais de António Cabral


A propósito de visitas virtuais e de fotografia panorâmica, existem algumas empresas portuguesas que se dedicam ao desenvolvimento de projectos de grande interesse para os museus. A António Cabral Fotografia, é uma empresa membro da International Virtual Reality Photography Association. Na sua página encontramos um texto de apresentação que vem ao encontro do interesse e urgência de uma actualização tecnológica dos museus, não só em termos de páginas web como também na reformulação e inovação do seu discurso expositivo:

"A fotografia panorâmica e as visitas virtuais são uma nova poderosa ferramenta de marketing com aplicações em páginas de internet, exposições multimédia, catálogos digitais, etc.
A sua utilização nas áreas do turismo, cultura, indústria e serviços vai revolucionar não só a forma como chegamos aos nossos clientes, mas principalmente a forma como os clientes chegam até nós."

Na página desta empresa, no apontador "Museus", disponibilizam-se as visitas virtuais ao Museu da Farmácia (Lisboa) e ao Museu dos Coches (Lisboa). Também o Património se encontra representado através do apontador "Património", na visita virtual à Livraria Lello (Porto), à Capela dos Ossos (Évora), ao Castelo de Palmela, ao Cromeleque dos Almendres (Évora), à Sé de Évora, à Sé de Lamego, e à Igreja de São Ildefonso (Porto).

Para visitar, basta clicar na imagem:

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Museus e Monumentos Portugueses: Visitas Virtuais 3D

Em vários museus portugueses já se encontram disponíveis visitas virtuais - visitas virtuais 3D, distinguindo-se das suas precursoras, as visitas virtuais 2D, simples guias ou roteiros estáticos das colecções de um museu, com textos a que se associavam algumas fotografias. As visitas virtuais 3D são um complemento indispensável às páginas dos museus e monumentos, publicitando-os em todo o mundo, conduzindo a uma maior compreensão do espaço, sítio, monumento ou colecções expostas, assim como a um maior interesse e desejo pela experiência concreta de uma visita real. Estas visitas virtuais são particularmente pertinentes pela oportunidade de visita a quem se encontra impossibilitado de o fazer, temporária ou permanentemente, por circunstâncias várias. É igualmente um excelente recurso, ainda em evolução, a ser utilizado por professores e famílias, com diversas possibilidades de exploração pedagógica, em pré e pós-visita.

Ficam aqui as várias sugestões do Instituto de Museus e da Conservação, para uma visita virtual a quatro museus - o Museu Grão Vasco (Viseu), o Museu Nacional de Arte Antiga (Lisboa), o Museu Nacional de Soares dos Reis (Porto) e o Museu Nacional do Azulejo (Lisboa)- e quatro palácios nacionais - o Palácio Nacional da Ajuda (Lisboa), o Palácio Nacional de Queluz, o Palácio Nacional de Sintra e o Palácio Nacional de Mafra, pertencentes à Rede Portuguesa de Museus. As imagens são de grande qualidade, acompanhadas por legendas (clicar na imagem).



Outros museus portugueses disponibilizam nas suas páginas visitas virtuais às suas colecções e museus, variando as visitas em qualidade ou em facilidade no seu visionamento, consoante as diferentes opções de software escolhidas. É importantíssimo que os museus tenham em mente que destas escolhas depende a visibilidade, credibilidade e atracção do museu, assim como a "adopção" deste por parte dos futuros visitantes, em primeiro contacto com ele através da visita virtual na sua página online. Visitemos então o...

Museu Diocesano de Arte Sacra do Funchal (Ilha da Madeira) - visita virtual à Colecção de Arte Flamenga (uma visita guiada a esta belíssima colecção, em alguns aspectos, ímpar na europa, com boa narração, mas com menor qualidade de imagem do que seria de esperar);

Museu de Alberto Sampaio (Guimarães) - Visita Virtual (visita algo lenta mas com imagens de elevada qualidade em panorama - de notar a falta que faz um mapa da localização das salas de exposição, para orientar o visitante e de legendas);

Museu Nacional de Arqueologia (Lisboa) - Visita Virtual (visita com imagens fixas e em panorama, sem legendas);

Museu Monográfico de Conimbriga (Condeixa-a-Velha/Nova) - Visita Virtual com imagens em panorama, sem legendas);

Museu Marítimo de Ílhavo (Aveiro) - Visita virtual ao Navio-Museu Santo André (visita com imagens em panorama, a partir da planta do navio);

Museu-Escola da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva (Lisboa) - Visita Virtual com imagens em panorama 360º, sem legendas.

Também na página do IGESPAR se proporcionam visitas virtuais aos monumentos nacionais - Convento de Cristo (Tomar), Mosteiro da Batalha, Mosteiro de Alcobaça, Mosteiro dos Jerónimos (Lisboa) e Torre de Belém (Lisboa) - através de imagens em panorama, acompanhadas por legendas (clicar na imagem).


Outras visitas virtuais a monumentos e sítios arqueológicos, em Portugal, presentes no portal Cultura Online:


Da Casa de Sarmento - Centro de Estudos do Património (Unidade Cultural da Universidade do Minho) temos uma interessante visita à Citânia de Briteiros (Sítio Arqueológico, Monumento Nacional, em Guimarães) - visita virtual com imagens em panorama, acompanhada por textos (o web design pode ser melhorado e a música de fundo, apesar de lindíssima, é desajustada em termos de época).

As visitas virtuais nas páginas dos museus e monumentos portugueses têm evidenciado uma boa evolução e assim continuem, aproveitando ao máximo as possibilidades das novas tecnologias digitais.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Os Museus da República


Com o início das Comemorações do Centenário da República Portuguesa, neste dia, em homenagem ao levantamento militar republicano ocorrido no Porto, no dia 31 de Janeiro de 1891, será interessante conhecer alguns dos museus dedicados ao ideal e revolução republicanos:

Biblioteca Museu República e Resistência:


Museu da Presidência da República Portuguesa:

Existem outros museus dedicados à República, um pouco por toda a parte, entre eles, o incontornável Musée de la Révolution Française; o Museu da República (Brasil); o US Capitol Visitor Center (Washington D.C., EUA), edifício histórico da maior importância política e simbólica, onde se reúnem, há mais de 200 anos, o Congresso do Senado e a Casa dos Representantes dos Estados Unidos da América, com percursos visitáveis; e o The Cromwell Museum (Cambridgeshire, Grã-Bretanha).

domingo, 17 de janeiro de 2010

Lisboa: Patrimónios

Lisboa é uma cidade de alto risco sísmico. No século XIV terá sofrido pelo menos 8 tremores de terra, 5 no século XVI, 3 no século XVII e 2 no século XVIII, um deles de proporções catastróficas. Todos nós nos habituámos ao pesadelo de uma possível repetição do terrível terramoto que destruiu Lisboa às 09h40 minutos da manhã de 1 de Novembro de 1755, Dia de Todos os Santos, e cujo violentíssimo abalo (de magnitude estimada de 8.75 na escala de Richter, com epicentro no mar, na falha Açores-Gibraltar), e efeitos do tsunami que se seguiu, foram sentidos no Norte da Europa, Norte de África e mesmo nas Américas.

Em termos patrimoniais, há relato de 85% dos edifícios em Lisboa terem ruído - entre eles, 55 palácios; 31 mosteiros, 15 conventos, 32 igrejas e 61 capelas; a Casa da Ópera, o Paço Real com as suas belíssimas tapeçarias, ourivesaria, baixelas, centenas de obras de arte e a Biblioteca Real, com a melhor, mais rica e diversificada colecção europeia em livros e manuscritos, e o Arquivo Real, com a sua preciosa documentação antiga e sobre a aventura marítima portuguesa; as livrarias (bibliotecas) dos conventos de S. Francisco, Trindade e Boa Hora. Apenas o Arquivo da Torre dos Tombo, graças ao empenho do seu guarda-mor Manuel da Maia, ficou a salvo.

Hoje em dia, a populosa Lisboa, com o seu subsolo fragilizado por múltiplas condutas de gás, electricidade, água, estacionamentos subterrâneos, túneis e metro, uma Baixa Pombalina envelhecida, construções demasiado elevadas, por toda a cidade, em betão e vidro (negligenciadas as regras de construção anti-sísmica), e equipamentos culturais de grande importância demasiado próximos do rio - monumentos, museus, jardins, universidades, Ministérios - se sucedesse semelhante tragédia, as perdas em vidas humanas e patrimoniais seriam incalculáveis.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Haiti - Patrimónios

No dia doze de Janeiro, Port-au-Prince, a capital do Haiti, sofreu um violento terramoto de magnitude 7.0 na escala de Richter, que devastou a cidade, causando a tragédia de muitos milhares de feridos e mortos penosamente ainda por descobrir e contabilizar. Pelas imagens, vemos uma cidade destruída, com os principais edifícios e símbolos de poder caídos por terra: o Palácio Presidencial com as suas cúpulas desfeitas, a Catedral de Notre Dame, os edifícios de Ministérios e do Parlamento, um dos Hospitais, hotéis - edifícios notáveis entre os escombros de milhares de outros edifícios irreconhecíveis da cidade e das favelas dos morros que a rodeiam. As notícias referem a possibilidade de cerca de 80% da cidade estar arrasada - a vida está suspensa em terror em Port-au-Prince. Internacionalmente movem-se vontades e esforços para acorrer solidariamente em auxílio às vítimas, de todas as formas possíveis, numa corrida contra o tempo, que se espera, venha a salvar ainda muitas vidas e a contribuir para a reconstrução material e moral da cidade e das suas memórias. Nestas circunstâncias, com uma catástrofe humanitária em curso, com mais horrores a cada dia revelados, a sobrevivência em risco e a chorar a perda de vidas humanas, de familiares, amigos, vizinhos, a perda dos bens, de uma cidade, de um dia a dia de dignidade e normalidade, de tudo, enfim, que tomamos por garantido nas nossas vidas, quem pensará em salvaguarda de Património? As urgências agora são compreensivelmente outras. Sem dúvida, bastante tempo se passará até haver condições para se fazer uma avaliação do desastre, em termos patrimoniais e mais tempo se passará até haver recursos financeiros e humanos para se recuperar. Nessa altura, o que se poderá vir a dizer do estado do património cultural e natural de Port-au-Prince? O que é que existia, o que deixou de existir, o que é que sobreviveu ao terramoto e o que é que pode ou não ser recuperado/restaurado? Os edifícios e acervos ainda existem? Qual é a memória que resta destes edifícios e dos seus acervos? O que é possível fazer pela comunidade que estas instituições museológicas servem?

Como em todas as cidades capitais, em Port-au-Prince era o centro político, económico e cultural do Haiti. Nesta cidade concentravam-se Bibliotecas particulares e estatais - a Biblioteca dos Irmãos de St. Louis de Gonzague (com colecções de jornais dos séculos XIX e XX, e muitas obras raras da época colonial e republicana), a Biblioteca Nacional, com dezenas de milhares de volumes, a Biblioteca do colégio paroquial Le Pétit Séminaire; nos Arquivos Nacionais, entre outras preciosidades, havia a Colecção Rochambeau (documentos sobre a expedição napoleónica ao Haiti), além das bibliotecas do Institut Français e do American Institute. Igualmente era na capital do Haiti que se encontravam as universidades - a Université d'État d'Haïti (com uma importante colecção agrícola), a Université Quisqueya e a Université des Caraïbes, além de diversas academias estrangeiras.

Em Port-au-Prince situavam-se igualmente o Musée du Panthéon National (fundado em 1938), o Musée du Peuple Haïtien (com colecções antropológicas e etnográficas) e o Musée de L'Art Haïtien (inaugurado em 1972 no Collège St. Pierre) - como nenhum destes museus ou das suas colecções se encontra representado online e com o nível da destruição que houve, não se sabe se os suportes físicos e registos fotográficos/digitais das colecções subsistem ainda. No entanto, pelo menos, no que se refere à arte, podemos obter uma panorâmica parcial da arte haitiana na consulta online de outras colecções de arte haitiana no Figge Art Museum (Iowa, EUA), na Bryant University (EUA) e em Galerias de Arte à volta do mundo, de acordo com a extensa lista indicada pela Haitian Art Society.

Existe um Museu dedicado à Herança Cultural do Haiti, em Miami, Florida, nos Estados Unidos da América, com presença online, o Haitian Heritage Museum, cuja página se convida a visitar.

De lembrar ainda que o Haiti é, em termos de flora, a segunda ilha mais rica e diversificada das Caraíbas, o que proporcionou a criação da Haitian Botanical Foundation
em 1996, para o seu estudo e salvaguarda, pela Botanic Gardens Conservation International que trabalha no Haiti desde 1993, no projecto do Jardim Botânico de Port-au-Prince.

O Instituto para a Preservação do Património Nacional do Haiti (Institut de Sauvegard du Patrimoine National - ISPAN), instituído em 1979, disponibiliza online na página da Embaixada do Haiti em Washington D.C., EUA, os 8 números do seu Boletim, de Junho de 2009 a Janeiro de 2010, extremamente valiosos para se conhecer melhor o Património do Haiti, havendo uma ênfase nos monumentos e sítios históricos (em especial, as fortalezas). O número 6, no entanto, é essencialmente dedicado ao Palácio Nacional Presidencial, desenhado pelo arquitecto Georges Baussan, hoje em ruínas, pelo que este Boletim em particular, ganha uma particular relevância e interesse.

Por último, embora não menos importante, refira-se que o Haiti consta na lista da UNESCO do Património Mundial, desde 1982, com o Parque Nacional Histórico, que inclui a Cidadela, o Palácio de Sans Souci e os edifícios em Ramiers.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Ano Novo


Votos de um fantástico Ano Novo de 2010!




Crédito da Imagem: Luís Lobo Henriques

Os Museus da RPM e a Web

A Rede Portuguesa de Museus (RPM), compreende 125 museus, de diversas tutelas - Instituto dos Museus e da Conservação (IMC), Direcção Regional de Cultura dos Açores (DRC dos Açores), Direcção dos Assuntos Culturais da Madeira (DRAC da Madeira), Administração Central e Local, Empresas Públicas, Associações, Fundações, Igreja Católica e Misericórdias.

Depois de anos de imobilidade, finalmente os museus portugueses constantes na Rede Portuguesa de Museus vão, a pouco e pouco, apresentando páginas próprias na internet, na maioria apresentando um design elegante, muita informação e interactividade crescentes, que convidam à visita e ao aplauso.

Aqui ficam alguns bons exemplos de páginas de Museus da RPM (clicar nas imagens) que se espera que continuem sempre a evoluir e a surpreender:

IMC
Museu Nacional de Arte Antiga:

Museu do Chiado - Museu Nacional de Arte Contemporânea:

Museu Nacional de Soares dos Reis:

Museu Nacional de Arqueologia:

Museu Nacional de Machado de Castro:

Museu Nacional do Teatro:


Museu Nacional do Azulejo:


Museu de Alberto Sampaio:

Palácio Nacional de Sintra:

Museus tutelados pela DRC dos Açores

Apenas dois dos museus têm ainda página própria.

Museu Carlos Machado:

Museu de Angra do Heroísmo:



Museus tutelados pela DRAC da Madeira

Vários Museus de grande importância continuam a aguardar página própria - a Casa-Museu Frederico de Freitas, o Museu de Arte Contemporânea - Fortaleza de São Tiago, o Museu Etnográfico da Madeira, o Photographia-Museu Vicentes...

Museu Quinta das Cruzes:

Casa Colombo - Museu de Porto Santo

Museus tutelados pela Administração Central

Tanto o Museu do Ar como o Museu Geológico ou o Museu Nogueira da Silva, possuem páginas próprias.

No entanto, a mais bem concebida e mais completa é sem dúvida a do Museu de Lanifícios da Universidade da Beira Interior:

Museus tutelados pela Administração Local

No caso dos museus da RPM, tutelados pela Administração Local, com excepções de mérito, a maioria permanece sem página própria, resignados a um cantinho mais ou menos indiferenciado nas páginas das Câmaras Municipais, dependendo muito da clareza, inteligência e actualização do webdesign destas. Esta negligência pela imagem e potencial turístico dos museus municipais e regionais não contribui para uma maior informação e atracção a esses museus, alguns dos quais belíssimos - como é o caso do Museu de Setúbal - Convento de Jesus, o Museu Arqueológico de São Miguel Odrinhas (com um site não oficial, de poucos recursos), o Museu Romântico da Cidade do Porto ou o Museu Municipal de Amadeu Sousa Cardoso.
Existem outros museus municipais com boas páginas próprias, embora não integrem ainda a RPM, e que constam das referências existentes na coluna direita deste blogue.

Eco-Museu do Seixal:

Museu de Olaria (Barcelos):

Museus tutelados por Empresas Públicas

Museu do Carro Eléctrico (SCTP - Sociedade Colectiva de Transportes do Porto, S.A.):

Museus tutelados por Fundações

A Fundação da Casa de Bragança tem a seu cargo a Biblioteca-Museu da Casa de Bragança, situada no lindíssimo Palácio Ducal de Vila Viçosa - e possui página própria, no entanto, esta precisa de uma actualização urgente do seu webdesign, como se poderá comprovar.

Fundação de Serralves (Porto):

Fundação Portuguesa das Comunicações:

Museu da Fundação Cupertino de Miranda:


Museus tutelados por Associações

Museu Arqueológico do Carmo (Associação dos Arqueólogos Portugueses):

Casa-Museu Abel Salazar (Associação Divulgadora Casa-Museu Abel Salazar/Universidade do Porto):

Museus tutelados pela Igreja Católica

No que se refere aos Museus da RPM tutelados pela Igreja, apenas o Museu Diocesano de Arte Sacra do Funchal possui página própria. Parecem tardar as páginas do Museu de Arte Sacra e Etnologia, do Museu Pio XII, e do Tesouro-Museu da Sé de Braga, este último presente na página da Sé Catedral de Braga, mas sem expressão pessoal.

Museu Diocesano de Arte Sacra do Funchal:

Museus tutelados pela Santa Casa da Misericórdia

Dos dois museus da RPM tutelados pelas Misericórdias, apenas um tem presença online:

Museu de São Roque:

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Os Museus e o Natal

Nesta época natalícia, já em vésperas das celebrações de um Novo Ano, existem exposições e museus dedicados ao Natal, online, a visitar.

É o caso da exposição História do Natal, com obras do Metropolitan Museum of Art, de Nova Iorque, narrada segundo os Evangelhos de S. Mateus e de S. Lucas, acompanhada de música e coros natalícios medievais.

O site do Weihnachtsmuseum (Museu do Natal), na cidade de Rothenburg ob der Tauben, na Alemanha, encontra-se com facilidade, com as histórias, decorações e personagens alusivas ao Natal, através do tempo.


No Falconer Museum em Moray, Inglaterra, temos a agradável e aromática proposta de apreciarmos as Especiarias do Natal, a sua história, usos culinários e medicinais, os exploradores e as suas rotas comerciais. Uma delícia.

Não é possível deixar de fazer uma visita até ao Museu de Charles Dickens, um dos maiores escritores ingleses e memorável autor dos Contos de Natal que, ainda hoje, nos acompanham nesta quadra festiva. O seu site menciona com orgulho uma colecção de mais de 100.000 objectos, entre raros manuscritos e livros, pinturas e objectos pessoais do escritor, com uma preciosa biblioteca de pesquisa. Pela notícia publicada a 19 de Novembro último, o museu recebeu fundos suficientes do Heritage Lottery Fund, para se reestruturar ("Great Expectations Redevelopment Project") e para se elevar, em breve, como um dos melhores museus britânicos da sua tipologia.

O Heritage Lottery Fund é um Fundo monetário, extraído da Lotaria Nacional Britânica que, através da concessão de Bolsas a Museus, Parques Arqueológicos, Locais e Monumentos Históricos, Ambiente Natural e Tradições Culturais, promove ou contribui, deste modo, para a manutenção, salvaguarda, conservação e valorização do Património Britânico, com apelo à participação voluntária das comunidades locais no trabalho de equipa necessário a cada projecto. Uma valiosíssima iniciativa a seguir, futuramente, também por nós. Vale a pena visitar o seu site.

Por fim, algumas notas: em Portugal, até 30 de Dezembro, ainda é possível as crianças participarem de actividades, visitas, oficinas e jogos das Férias de Natal nos Museus e Palácios do Instituto dos Museus e Conservação. O programa acha-se no site do IMC.

Depois das iniciativas de Natal dos Serviços Educativos da Fundação de Serralves, no Porto, terminadas a 20 de Dezembro, no Museu da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, os Serviços Educativos vêm propor "O Natal no Museu: o sol, a natureza, nós e os outros", em dois módulos: 22 e 23/29 e 30 de Dezembro, actividade para crianças dos 4 aos 12 anos e que depende de marcação prévia.

Imagens:
(1) Adoração dos Pastores, Andrea Mantegna, c.1450 (MetMuseum).
(2) Poster da Exposição Ignorance and Want - The Social Conscience of Charles Dickens (Museu de Charles Dickens).

sábado, 21 de novembro de 2009

Obras de Referência dos Museus da Madeira. 500 Anos de História de um Arquipélago


Na Galeria de Pintura de D. Luís I do Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, abriu portas hoje ao público uma exposição de três centenas de obras de pintura, escultura, ourivesaria, cerâmica, mobiliário e fotografia, de grande beleza, provenientes dos museus da Ilha da Madeira, cuja visita se recomenda vivamente.

Clicando-se na imagem ao lado, acede-se ao excelente site desta exposição temporária, que encerrará no dia 28 de Fevereiro de 2010.

Abaixo se reproduz a nota para a imprensa, escrita pelo Dr. Francisco Clode Sousa, um dos Comissários Executivos da Exposição:

"Obras de Referência dos Museus da Madeira

Obras de Referência dos Museus da Madeira foi o título de uma exposição que se integrava no projecto MUSEUMAC-Rede de Museus Madeira-Açores-Canárias, programa de iniciativa comunitária INTERREG III B, inserido no eixo 4 da Valorização e Gestão Sustentada dos Recursos Naturais e Culturais. A medida de actuação incidia no tema da Conservação, Valorização e Gestão Sustentável do Património Cultural que decorreu entre 2006 e 2008.

A actividade principal por nós desenvolvida, foi a exposição Obras de Referência dos Museus da Madeira, inaugurada em Abril de 2008, no Museu de Arte Sacra do Funchal, que reunia peças de Museus ou organismos para-museológicos, da Região Autónoma da Madeira como Museu de Arte Sacra do Funchal, Museu Quinta das Cruzes, Casa-Museu Frederico de Freitas, Museu Henrique e Francisco Franco, Museu A Cidade do Açúcar, Núcleo Museológico do IVBAM, Museu de Arte Contemporânea-Fortaleza de São Tiago, Museu Photographia “Vicentes”, Casa Colombo-Museu do Porto Santo e Núcleo Histórico de Santo Amaro-Torre do Capitão.

Essa exposição teve por objectivo criar um diálogo entre obras de arte, apresentando uma evolução temporal ao longo de quase 600 anos de História, com exemplares existentes nas nossas colecções e que fossem sintomáticos das épocas respectivas.

O título, Obras de Referência dos Museu da Madeira, não queria afirmar, que estas são as obras de referência dos nossos Museus, porque necessariamente existem outras, mas sim, que são emblemáticas das nossas colecções e que apresentam os temas fundamentais, dos nossos conteúdos artísticos.
A Direcção Regional dos Assuntos Culturais, através da Direcção de Serviços de Museus, sempre teve relações de franca colaboração com o Instituto dos Museus e da Conservação, desde há longo tempo. Através da Rede Portuguesa de Museus, os Museus da Madeira são parceiros actuantes dos Museus Nacionais, tendo sido já apoiados em vários campos de colaboração institucional, como a formação profissional e técnica, assim como, apoio para a concretização de projectos de exposições ou de reorganização museológica e museográfica.

Foi assim possível levar a cabo esta ideia de deslocar a Lisboa a exposição inicialmente apresentada no Funchal, devidamente ampliada e enquadrada, pelos novos desafios de espaço, que a Galeria de Pintura do Rei D. Luís I, no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, exigia, para além dos naturais reenquadramentos e ponderação dos núcleos temáticos.

Assim, um programa científico que organizou os quase 600 anos de História, sob os seus núcleos fundamentais de desenvolvimento económico, social e cultural, concretizou em termos museológicos uma planificação, que devidamente enquadrada pelos suportes e técnicas da museografia, resultaram numa exposição, que através de obras de arte, se testemunha os contactos estabelecidos com alguns dos mais importantes centros de produção artística portuguesa e europeia.

O Arquipélago da Madeira possui um património artístico muito pouco conhecido a nível nacional, sendo esta exposição uma importante oportunidade de divulgação dessa realidade a um público mais vasto. É aliás, sintomático, que as colecções dos museus regionais reflictam, um percurso de evolução dos principais ciclos da nossa economia e das relações privilegiadas tidas com outras zonas do país, e mesmo afirmem as principais rotas de circulação artística na Europa.

A presença de comerciantes flamengos, a transformação da cidade de Antuérpia, como placa giratória do açúcar madeirense para o norte da Europa, justifica por si só, a existência de um tão importante núcleo de arte flamenga, do primeiro quartel do século XVI, quer na pintura, escultura e ourivesaria, hoje, na sua grande maioria no Museu de Arte Sacra do Funchal, provindas de igrejas e capelas, sobretudo da costa sul da Ilha da Madeira, encomendadas por proprietários de grandes canaviais. A protecção régia, de D. Manuel I, à sua Ilha da Madeira, naturalmente cobrando imposto, é razão para a existência de um conjunto excepcional, que escapou à voragem dos tempos, de ourivesaria manuelina, constituída na sua parte mais simbólica, por ofertas reais à Sé do Funchal.


O ciclo açucareiro permitiu uma abertura ao mundo e à presença de muitos estrangeiros na ilha, que irão moldar desde cedo, um sentido cosmopolita que nos caracterizará. Na Madeira ensaiou-se primeiro Portugal no Atlântico e pôde moldar-se a formação do império português, desde o Brasil, aos outros arquipélagos atlânticos e mesmo no Oriente. Foram os madeirenses e a sua tecnologia açucareira, os responsáveis pelo desenvolvimento da indústria em São Tomé, Antilhas e também no Brasil, para além de terem sido a base de experimentação da estrutura das capitanias, depois aplicadas noutras paragens.

O século de ouro da nossa economia açucareira durou, verdadeiramente pouco e logo na segunda metade do século XVI, começou a sentir-se a crise produtiva e a concorrência do açúcar de outros portos atlânticos. Desde finais do século XVI e por boa parte do século XVII, a crise dinástica e a acelerada queda de Portugal, pelas investidas europeias nos nossos mares, é também um tempo de mudança económica, onde progressivamente se sentirá a substituição do Açúcar pelo Vinho, como referente fundamental para o desenvolvimento da vida insular.

Com madeiras brasileiras construíram-se móveis ao gosto português do século XVII, reaproveitando as maravilhosas tábuas com que se haviam feito caixas para trazer açúcar do Brasil para a Ilha da Madeira, e que alimentavam a nossa indústria de doçaria e frutos cristalizados. Do Museu Quinta das Cruzes, estão presentes, alguns exemplares sintomáticos dos móveis, ditos caixa de açúcar.

Apesar de ser um século de mudanças generalizadas o século XVII começa com o consolidar das defesas militares, agora que nos enquadráramos na grande monarquia ibérica e conquistáramos também novos inimigos. Na Madeira este momento de charneira, entre o esvaziamento do ciclo açucareiro e a emergência do Vinho, está referenciado em exposição por um conjunto muito pouco comum de Ourivesaria Chã, onde um tardo Renascimento e o Maneirismo se confrontaram, no espaço insular, dando origem a uma vitalidade produtiva de grande particularidade no contexto português. Aqui, contrariamente a outras regiões, sobreviveram em quantidade e qualidade, peças, das quais trouxemos uma pequena, mas significativa mostra, da aplicação de motivos e formas que circulavam na Europa, por intermédio de gravuras.

O Arquipélago da Madeira não se encontrava nas rotas marítimas do Oriente português, contrariamente aos Açores, mas foram muitos os madeirenses que participaram na consolidação do império português a Oriente, como o já haviam sido no Norte de África, e trouxeram muitos objectos, que nos chegaram desse encontro cultural, como é o caso do pequeno cofre goês, de tartaruga e prata, do primeiro quartel do século XVI, das colecções da Diocese do Funchal.

No entanto, a Madeira teve ao longo do século XVII, um papel importante no contexto estratégico na navegação atlântica, dos galeões espanhóis de regresso a Sevilha pela Rota de Acapulco, sendo talvez a razão da existência de uma caixa da região de Oaxaca, no México, de meados do século XVII, provinda do fundo antigo do Convento de Santa Clara do Funchal, também nesta mostra.

A produção artística portuguesa ao longo do século XVIII, sobretudo nas artes decorativas, seguirá os modelos do barroco romano, estando presentes em exposição, alguns exemplares notáveis, encomendados aos maiores centros nacionais, como Lisboa, de onde provinham muitas das encomendas regionais.
Os comerciantes europeus, sobretudo ingleses, desde meados do século XVIII na Madeira, atraídos pelo Madeira Wine, em franca expansão, justificam a presença em exposição de algumas obras de enquadramento de época, de mobiliário e artes decorativas inglesas da segunda metade do século XVIII.

Desde meados do século XVII, que se desenhava um influxo produtivo que alterava completamente o sedimento da economia insular, constituindo-se como âncora do segundo, dos nossos ciclos económicos, o da produção e exportação do Vinho Madeira.

Da Europa, em particular de Inglaterra, chegaram também os nossos primeiros turistas, autores de numerosos apontamentos de viagens, por vezes transformados em pinturas, e em álbuns de gravuras, constituindo um poderoso instrumento de apreciação, dos costumes e topografia insulares, mas essenciais para o conhecimento da história das mentalidades, do próprio observador. Foram incluídos de forma apenas demonstrativa, alguns instrumentos musicais e traje madeirense, reveladores da riqueza etnográfica da Madeira e das suas tradições populares.
Em exposição obras de Andrew Picken, como Burriqueiro Boy e Quinta do Monte ou Cabo Girão de John Eckersberg, onde os referentes do Romantismo europeu, se encontram bem consolidados, pelo apelo da paisagem e das gentes.

Uma parte fundamental da construção do imaginário do nosso primeiro turismo, ligado a discutíveis propriedades terapêuticas do clima, farão consolidar o destino Madeira, primeiro entre a sociedade europeia, com a presença na Ilha da Imperatriz da Áustria, Elizabeth, seguida das cortes Alemãs, Inglesas, Russas, Brasileiras, etc.

Em exposição um conjunto de fotografias datáveis entre o terceiro quartel do século XIX e o início do século XX, servem de referência a um imaginário romântico do nosso turismo, mas também de aspectos essenciais do nosso quotidiano insular.

A Fotografia revela também importantes imagens de reportagem sobre acontecimentos marcantes da nossa história, entre o fim do século XIX e o início do século XX.

A participação de madeirenses no início do modernismo na arte portuguesa é dada pelos irmãos Franco. Francisco Franco, mais conhecido como escultor oficial do Estado Novo, tem um percurso insuspeito e muito pouco conhecido, de artista experimental, enquadrável nas referências mais inovadoras do desenho e escultura portuguesa do princípio do século XX. Henrique Franco, retirado mais cedo, é também um ilustre desconhecido, que esta exposição apresenta como participante activo da experimentação modernista.

Temos a certeza de que não esgotámos as possibilidades de apresentação das complexas redes da História, mas a certeza de termos contribuído para um conhecimento mais generalizado das riquezas patrimoniais existentes no arquipélago.

Assim, esta exposição estabelece um percurso de quase 600 anos de vida de uma comunidade complexa, que fez da sua existência uma permanente diálogo entre conhecimento do outro e autoria, proximidade e diferença, abertura ao mundo e certeza do seu vínculo mais profundo, a ideia da autenticidade".

Como última sugestão, aqui ficam os links dos sites do MuseuMac (Rede de Museus da Macaronésia: Madeira, Acores, Canárias), e da CultuRede (Direcção Regional dos Assuntos Culturais, da Ilha da Madeira), cujas visitas igualmente se recomendam:

http://www.museumac.com/index_flash.php

http://www.culturede.com/pt/museus/lista.aspx

domingo, 25 de outubro de 2009

"Se Maomé não vai à Montanha... a Montanha vai a Maomé"


O sucesso que as Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian tiveram em Portugal, desde 1958 a 2002, relegou para um cantinho obscuro da memória que, em 1953, foi o escritor António José Branquinho da Fonseca, Conservador-Bibliotecário do Museu-Biblioteca do Conde Castro Guimarães, em Cascais, a ter a ideia de criar uma extensão móvel deste Museu-Biblioteca. Esta extensão consistia numa carrinha a circular pelas escolas e povoados, proporcionando um acesso da população, de outro modo impossível ou improvável, aos livros e à leitura, através de um serviço de empréstimo domiciliário. Foi o êxito desta iniciativa que levou a Fundação Calouste Gulbenkian a aceitar a sua sugestão, em 1958, para a expansão nacional de um serviço de bibliotecas itinerantes.

Actualmente, assistimos ao nascimento de outro projecto de itinerância cultural, original entre os museus portugueses: o Museu Nacional Carlos Machado criou um serviço móvel para levar o museu às escolas, visto que a distância e interioridade das ilhas dos Açores dificulta a ida das crianças ao museu. Assim nasceu o Museu Móvel do Museu Nacional Carlos Machado, carrinha que se desloca às escolas para aí montar exposições temporárias (de apenas um dia) e actividades, relacionadas com o museu e com o património cultural e natural de cada localidade visitada, organizando-se as oito pessoas que constituem a equipa, para a montagem da exposição, organização das visitas e actividades com grupos de alunos e posterior desmontagem da exposição. Para o sucesso desta iniciativa, contam ainda com Representantes do Museu em cada escola.
Vale a pena ler o artigo saído no Boletim N.º32 de Museus em Rede, pp.9-11 (Rede Portuguesa de Museus), visitar o site do Museu Nacional Carlos Machado e para quem quiser aprofundar a questão das Bibliotecas Itinerantes, convido à visita de Bibliotecas em Portugal (Suporte).
Fontes iconográficas:
Imagem do topo:
Neves, Rui, As Bibliotecas em movimento. As Bibliotecas móveis em Portugal [on line/em linha]. Acesso a 25/10/2009, 10h00 min.
Segunda Imagem:
Museu Nacional Carlos Machado, Açores, publicada no Boletim N.º32 de Museus em Rede.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O zapping do rato

Um ano decorrido desde a criação deste blogue, durante o qual se viajou virtualmente à volta do mundo, tentando-se encontrar websites e blogues de instituições museológicas, patrimoniais e outras de interesse, para as conhecer e dar a conhecer, impõem-se algumas considerações.

O que é, exactamente um bom blogue ou um bom website?

Supostamente, o que principalmente queremos encontrar num blogue ou website, é informação escrita e visual cientificamente correcta, o mais completa possível, à distância do conforto de um clique no rato.
No entanto, essa informação tem de ser apresentada de uma forma visualmente atraente, com um bom design gráfico - caso contrário, nem nos damos à maçada de tentar ler. Encontram-se demasiados websites e blogues que, em termos de formatos, cores e escolha de lettering são tão pobres ou tão mal concebidos, que não possibilitam um segundo olhar, fazendo-se, imediatamente, zapping com o rato, de retorno à página de pesquisa.

Especificamente no caso dos websites das instituições museológicas, seja por constrições orçamentais, de menor sensibilidade, interesse e investimento na área do webdesign da página do museu ou por simples falta de recursos humanos técnicos e tecnológicos, a ausência de conteúdos apelativos, de multimédia e de interactividade limita muito o interesse dos que acedem a essas páginas. Este é um facto particularmente grave, nesta era das novas tecnologias, porque o primeiro contacto que se tem com um museu é através da sua página na internet, pelo que a falta de investimento no desenvolvimento dessa página se torna desastroso em termos da divulgação e marketing de qualquer instituição.

É certo que muito se tem evoluído tecnologicamente com a web 2.0 a proporcionar um maior desenvolvimento nas páginas de muitas instituições museológicas e patrimoniais (a saber que possibilidades trará a futura web 3.0), mas muito há ainda por fazer. A boa notícia é que muitos websites têm sido melhorados desde há um ano para cá - muitos ainda de modo insuficiente, mas algum esforço é visível (veja-se o caso da esmagadora maioria dos museus municipais portugueses, sem página própria, alojados nas páginas das Câmaras Municipais, ultimamente com sensíveis melhorias em termos de imagem, mas permanecendo totalmente estáticos e ineficazes como páginas de museu, tal como sucedeu anteriormente com as páginas de museus municipais, da Geira).

Igualmente, o desenvolvimento de conteúdos multimédia através da reconstituição de ambientes naturais e históricos, com edifícios e cidades recriados a partir dos sítios arqueológicos, desenvolvidos por diversas empresas e universidades, em vários países, tem permitido visitas virtuais - "viagens no tempo", não só nos próprios museus, como nas visitas virtuais oferecidas nos conteúdos das páginas de alguns museus.

De enorme utilidade serão cada vez mais as aplicações destas tecnologias de alta precisão, na constituição de bancos de dados virtuais para o estudo científico dos achados arqueológicos, evitando os riscos que um contínuo manuseamento das peças implicam, em termos de conservação, assim como um ganho extraordinário no acesso global à recolha de dados e na poupança de tempo e de custos de investigação.

Assim, em conclusão, para se evitar o impaciente zapping do rato, há alguns factores a ter em conta:

- O investimento em webdesigners, designers gráficos e tecnologias de última geração é fundamental na criação do website de uma instituição museológica, para garantir uma imagem de impacto inicial e continuada do museu;

- Uma das melhores acções de marketing do museu é o seu website, antes, e após a visita, assegurando a continuação dos laços que o visitante estabelece com o museu, exigindo uma página que mantenha conteúdos actualizados, cientificamente correctos mas acessíveis, conteúdos multimédia (filmes, reportagens, visitas virtuais, recriações 3D), visitas guiadas online e conteúdos pedagógicos atraentes para crianças, família e escolas, e as actuais utilidades interactivas (loja virtual, bilhetes online, notícias diárias do museu e das suas exposições, sondagens, blogues, fóruns...etc.). Um exemplo muito bom será o do Museu do Louvre (Paris, França);

- Um dos pontos a ter muita atenção é a correcção no uso do vocabulário museológico na página web, para evitar, mais uma vez, o zapping do rato. Dão-se apenas dois exemplos:

- Um erro frequente em páginas web de museus um pouco por todo o mundo é a confusão entre "visita virtual" e "guia" e/ou "roteiro" (em versão reduzida). A "visita virtual" não é um simples guia e roteiro online, com textos mais ou menos longos e fotografias de algumas peças das colecções do museu. Uma "visita virtual" é uma visita através de um pequeno filme ou de imagens em movimento, em rotação de 360º, reconstituição virtual em 3D - algo, enfim, que nos permita visitar virtualmente o espaço museológico ou musealizado (sítios arqueológicos, monumentos...) e as suas colecções. Um exemplo de uma visita virtual é a visita a Stonehenge ;

- Outro erro frequente é a designação de "museu virtual" que, mais uma vez, também não é uma colecção de textos e fotografias e sim, um museu criado online, com ou sem correspondência física com um museu real, com conteúdos multimédia de modo a proporcionarem aos visitantes visitas virtuais, informação, interactividade, actividades pedagógicas e bancos de dados e imagens (não se devem limitar a ser bancos de dados e imagens). Bons exemplos de museus virtuais são o MUVA - Museo Virtual de Artes El Pays (Uruguai) e o Museu Virtual de Aristides de Sousa Mendes (Portugal). Menos bons exemplos serão a Web Gallery of Art e o Museum with No Frontiers - Discover Islamic Art, que funcionam, sobretudo, como fabulosos bancos de dados e de imagens, com visitas virtuais infelizmente demasiado semelhantes a guias e pequenos roteiros online... estáticos.

domingo, 19 de julho de 2009

68 Peças de museus municipais vão ser emprestadas ao Grupo Pestana

De acordo com a notícia publicada a 17 de Julho do Jornal de Notícias, a Câmara do Porto pretende emprestar por um ano, 68 peças de mobiliário e objectos decorativos, pertencentes ao espólio de museus municipais, em depósito, ao Grupo Pestana, para servirem os projectos de decoração de interiores dos espaços comuns e do restaurante da Pousada do Freixo.

William A. Bostick disse certa vez que "o grau de segurança de um museu corresponde, na realidade, ao ponto a que os directores de museus se preocupam com esse problema" [1].

Em Portugal, é notória a dedicação, interesse e esforço dos directores de museus, qualquer que seja a sua tutela, pela segurança e conservação preventiva das colecções a seu cargo. Isto implica lidar com todos os problemas inerentes a essa conservação, levantados pelos edifícios e espaços, condições físicas, técnicas e humanas específicas de cada museu, com orçamentos para a gestão museológica mínimos e, em muitos casos, insuficientes, dependendo-se em muito do sentido de responsabilidade e voluntariado de todo o pessoal do museu, para assegurar a sua salvaguarda.

Assiste-se agora ao absurdo de se recuar no tempo e voltar a ver os museus - hoje os museus municipais do Porto (amanhã quem se segue?) - por imperativos da sua tutela, a cederem, a título de empréstimo, peças antigas insubstituíveis para decorarem espaços particulares e públicos. Estaremos nós de volta ao século XIX, para assistir a uma redistribuição arbitrária de valiosos bens culturais, expropriados e arrolados no património português, por espaços públicos e privados, ou talvez mais precisamente ao século XX, durante a ditadura salazarista, quando os Museus Nacionais eram obrigados a fornecerem mobiliário, peças decorativas e utilitárias, não só para decoração dos gabinetes dos Ministérios do Estado e Embaixadas, mas para tudo prover para os banquetes de Estado e visitas oficiais de entidades estrangeiras?

Embora os termos do contrato entre a Câmara Municipal do Porto e o Grupo Pestana não sejam conhecidos, o problema subsiste: estamos a falar de expor e em que condições de exposição e conservação, em espaços de acesso fácil, 68 peças de mobiliário, faiança, espelhos - são 68 peças insubstituíveis dos museus municipais do Porto, o que representa um verdadeiro pesadelo em termos de segurança e de conservação, num espaço que se estende ao longo de 88 quartos, áreas comuns e restaurante (a Pousada é constituída por dois edifícios: o Palácio do Freixo e o alojamento a situar-se no edifício da antiga fábrica de Moagem Harmonia, desalojando-se daí o Museu da Ciência e Indústria).

Será possível que o Grupo Pestana nunca tenha ouvido falar nas excelentes reproduções de colecções dos museus portugueses? Não faria maior sentido colocar nas tais "áreas comuns e no restaurante da Pousada", essas e outras reproduções? Que condições podem estes espaços oferecer para garantir uma conservação ambiental e segurança adequadas a peças antigas, que exigem modos diversos de exposição, temperatura, humidade, luminosidade, etc.? O Grupo Pestana comprometeu-se em assegurar os trabalhos de restauro e conservação destas peças e com certeza que vão precisar, indo o pessoal de limpeza da Pousada receber formação em manutenção e conservação, de técnicos da Câmara. Resta saber como serão feitos esses trabalhos de restauro e conservação, visto que a formação técnica de um técnico em conservação não se faz num ano e cada peça é uma peça...

É caso para se dizer que, actualmente em Portugal, o grau de segurança das colecções de um museu municipal corresponde, na realidade, ao ponto a que os vereadores da Cultura em cada Câmara Municipal se preocupam com esse problema...

Esta é uma resposta (alargada) ao debate lançado pela Professora Doutora Alice Semedo, no seu excelente site da rede social para estudantes, profissionais e especialistas em museus, museologia.porto, que se encontra ainda em aberto.

O link para a notícia do JN "68 peças vão para a Pousada" encontra-se em "Notícias", na coluna direita deste blogue.

Nota: [1] Bostick, William, Guide pour la Sécurité des Biens Culturels, UNESCO, Paris, 1978.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Dia Internacional dos Museus: "Museus e Turismo"


Hoje comemora-se o Dia Internacional dos Museus (ICOM), cujo tema este ano é "Museus e o Turismo". Em Portugal, o Instituto de Museus e Conservação (IMC) tem estado a apresentar uma programação especial de actividades muito diversas nos Museus e Palácios Nacionais (RPM), a não perder.
Foi em 1977 que o ICOM decidiu instituir o Dia Internacional dos Museus, com o objectivo de desenvolver um maior entendimento e relacionamento entre os profissionais dos museus e o público, de modo a não se perder a finalidade museológica essencial dos Museus - "instituições ao serviço de uma sociedade/comunidade e do seu desenvolvimento"- defendendo e preservando a memória e identidade da comunidade, pela participação de forma proactiva no seu desenvolvimento cultural. Foi então recomendado que a 18 de Maio o Dia Internacional dos Museus seria comemorado com actividades especiais, ao redor do mundo. Apenas a partir de 1992 se decidiu que as celebrações passariam a ser realizadas sob um tema específico escolhido anualmente pelo ICOM (Resolução N.º5 - Dia Internacional dos Museus, tomada durante a 12ª Assembleia Geral do ICOM, a 28 de Maio de 1977).

domingo, 17 de maio de 2009

Formação Ambiental em Campo de Trabalho Internacional


"Numa região profundamente marcada ao longo dos séculos pela acção humana, onde a paisagem natural se funde com a humanizada, a Associação Transumância e Natureza (ATN) convida-o a participar num Campo de Trabalho Internacional (CTI), realizado com o apoio do Instituto Português da Juventude (IPJ) e em parceria com a APDARC (Associação para a Promoção da Arte e Cultura do Vale do Côa e Douro Superior). Este campo pretende apoiar a inventariação de estruturas e construções rurais, assim como de histórias e saberes locais, na Reserva da Faia Brava, propriedade da ATN na ZPE do Vale do Côa. Os participantes deste CTI recebem formação teórica e prática em metodologias de inventário de arquitectura rural e de inquéritos e apoiam a ATN nos trabalhos de campo de inventário e reconstrução, que serão realizados em conjunto com especialistas convidados. Todos os dados e conhecimento recolhidos serão compilados num relatório final, que servirá de apoio à elaboração de actividades ecoturísticas, marcação de percursos pedestres, equestres e de bicicleta, a ser implementado na Reserva da Faia Brava.

Datas: 18 a 30 Agosto 2009

Local: Reserva da Faia Brava, Algodres e Cidadelhe."

(Notícia enviada ao Museu Aberto pela Sra. Eng.ª Filipa Viegas, ATN. Para mais informações - programa provisório, brochura, inscrições - basta clicar no título do texto para aceder ao site desta associação).