quarta-feira, 4 de agosto de 2010

"Morte estática" no Golfo do México

Há que concordar, o petróleo é útil - usamo-lo nas fábricas, marinha, aviação, exército, nos carros, em máquinas diversas, obtemos variadíssimos produtos utilíssimos (como toda a gama dos plásticos, por exemplo). Mas o que quer que possamos dizer de bom dele, a verdade é que o petróleo é ecologicamente inviável. É uma forma de energia suja, que nos envenena o ar e todos os organismos vivos. O petróleo envenena e intoxica as plantas e os animais aquáticos ou marinhos - plâncton, peixes, crustáceos, moluscos, aves. Cobre a superfície da água com a sua matéria espessa e oleosa, impedindo a passagem da luz, matando todos os microorganismos e organismos que dela necessitam para a sua sobrevivência; recobre os peixes, mamíferos e aves com um manto pegajoso que lhes tapa os poros da pele, inutiliza escamas, barbatanas, penas e asas, e os paralisa e sufoca numa lenta e horrível agonia, até à morte.

Abaixo estão duas imagens dessa agonia, um cartoon e o seu correspondente real, que nos lembra que, para a esmagadora maioria dos seres vivos que anteriormente polulavam nas águas e acima das águas da área afectada pelo derrame do Golfo do México, a ajuda humana com os seus detergentes e boa vontade, chegou tarde ou nem chegou sequer. Lembra-nos, igualmente, que o assunto não é para rir. É só pormo-nos no lugar da ave marinha - algo impossível, na verdade; nós sempre vamos tendo os meios e a capacidade de nos limparmos a nós mesmos do crude; os animais não.
O cartoon é de Paul Combs, tendo sido publicado no "The Tampa Tribune". A imagem da ave marinha é da internet.

Segundo as notícias transmitidas pela BP, o poço de petróleo do Golfo do México terá sido finalmente fechado, através de uma manobra a que chamam "morte estática" e que consistiu em lançar lama para dentro do poço de petróleo. No entanto, a sua selagem definitiva, com cimento, ocorrerá apenas daqui a uma semana. Será com certeza relevante lembrar que a 15 de Junho a BP havia anunciado o êxito do tamponamento temporário deste poço... apesar deste continuar a verter petróleo para o oceano. Congratulemo-nos portanto, ficando "de pé atrás" com este seu novo êxito.

De qualquer modo, como pode ser verificado no contador do derrame de petróleo, algumas mensagens mais abaixo, o cômputo final do desastre parou hoje, 4 de Agosto de 2010, aos 92 340 117 barris de crude lançados ao mar. Outros cálculos serão mais modestos, outros ainda serão mais catastróficos. Enfim, cálculos há muitos, mas certezas há poucas.

O que se pode dizer com total certeza é de que este derrame de petróleo constitui o pior desastre ecológico de todos os derrames de petróleo, ultrapassando de largo, o desastre do Exxon Valdez, no Alasca, em 1989. O desastre ecológico do Golfo do México entrou assim, da pior maneira, para o Hall of Fame dos atentados ao meio ambiente. E, apesar dos seus esforços, a BP, em vez do Óscar, merecerá antes a Framboesa de Ouro.

Convido ainda a visita a dois sites muito interessantes sobre este tema. O primeiro é um infográfico, que explica, através de imagens comparativas, a dimensão deste desastre; o segundo é um mapa da Google, que sobrepõe a área do desastre a qualquer zona do globo, ajudando-nos a apercebermo-nos das dimensões do desastre e do que sentiríamos se tivesse ocorrido na localidade onde moramos, na nossa casa...
Infográfico de David MacCandeless: "Podemos dar-nos ao luxo de derramar petróleo?" (05/05/2010)

"E se [o derrame de petróleo] fosse na minha casa?" - If it was my home (Visualizing the BP Oil Spill /Disaster).

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